Reprodução/JuanonJuan Blog

Obrigado, Kobe Bryant! #ThankyouKobe

Quando eu tinha uns 12 anos, eu vi o Chicago Bulls de Michael Jordan vencer a série de seis jogos (um mais espetacular que o outro) e faturar o tri-campeonato da NBA em 1993, em cima do Phoenix Suns de Charles Barkley. Depois disso, Jordan anunciou uma aposentadoria meio mequetrefe para jogar beisebol. Voltou dois anos depois, para ganhar outros três campeonatos em cima do extinto Seattle Supersonics (de Shawn Kemp) e do Utah Jazz (de Karl Malone e John Stockton). Aquele time e, principalmente o maior astro daquele esquadrão, eram mágicos. Impossível qualquer ser humano superar o que foi Michael Jordan para aqueles meninos que cresceram nos anos 90, assistindo NBA na TV Bandeirantes, em jogos que passavam depois da meia-noite das sextas-feiras.

Mas aí, em 1996, um cara chamado Kobe Bryant foi escolhido no Draft da NBA. Para mim, esse foi o maior erro que ele cometeu. Ele apareceu exatamente no momento que Jordan se aposentava das quadras. E tinha a PETULÂNCIA de dizer que queria ocupar o lugar do maior jogador de basquete de todos os tempos. Isso foi demais para mim.

Quando Jordan arremessou aquela bola no jogo seis da final de 1998, o basquete acabou para mim. Eu conto nos dedos os jogos que eu assisti desde então. Eu tinha visto o Dream Team massacrar o Brasil nas Olímpiadas de 1992. Vi Jordan realizar jogadas inacreditáveis (tenho na memória um lance dele nas semifinais de 1997 que um dia eu conto pra vocês). Além disso, a gente via Patrick Ewing, David Robinson, Shaquille O’Neal (que eu, particularmente, nunca gostei), Hakeen Olajuwon, e tantos outros. Ao se aposentar, Jordan levou com ele toda aquela vontade de acompanhar o basquetebol que eu tinha.

E por causa disso, eu não acompanhei a carreira de Kobe Bryant. Meu interesse pelo basquete só voltou em 2010, quando Universo/Brasília venceu o Flamengo por 3×2 nos playoffs. Meu ídolo no esporte passou a ser Alex, ala que hoje joga pelo Bauru, exemplo de atleta e ser humano. E meu interesse passou a ser mais o time de Brasília do que propriamente o esporte. Conversando com os colegas jornalistas mais aficionados pelo basquete, foram quase unânimes ao dizer que se Kobe Bryant não foi o melhor de todos os tempos, está pelo menos no Top 10. Um deles inclusive cometeu a OUSADIA de perguntar se Michael Jordan chegava perto de Bryant. Para mim, algo inimaginável.

Até que, no início desta temporada, Kobe Bryant anunciou a aposentadoria. Comoção geral. E eu, com 20 anos de atraso, fui dar uma olhada no camarada. Ele já não era o que diziam. Afinal, o tempo chega para todos. As contusões e (principalmente) o time do Lakers deste ano (que hoje conta com Marcelinho Huertas, brasileiro craque de bola), não ajudavam muito. Além disso, temos o protagonismo do gênio Stephen Curry, do Golden State Warriors. O Lakers nem cogitou passar para os playoffs. Então, a temporada regular foi uma espécie de contagem regressiva para o fim da carreira de Kobe.

Mas a vida corrida deu um passo para trás e me permitiu assistir o último jogo. E que jogo! Kobe anotou 60 pontos. Acertou bolas de três, deu assistências, infiltrou, enterrou, fez o diabo. Ou seja, foi o Kobe de sempre, que há muito não aparecia. E aí a ficha caiu. Eu percebi que eu perdi muita coisa. Conto nos dedos os jogos que assisti do Lakers nesse tempo (o que explica também minha fidelidade ao Bulls, rival histórico). Perdi o jogo dos 81 pontos. Torci contra ele na final contra o Boston Celtics. Perdi todos os All-Star Games. Perdi os mais de 33 mil pontos que ele anotou na carreira. E tantas outras coisas. Tudo isso porque ele cometeu a ousadia de querer tomar o lugar do meu ídolo Michael Jordan.

Por isso, eu peço desculpas a você, Kobe. Eu te ignorei por tanto tempo e perdi praticamente tudo o que você fez. Tudo isso porque você quis jogar mais que Michael Jordan. Porém, em um único jogo, literalmente no último jogo, você mostrou que era tudo isso que falavam. E me fez me sentir privilegiado por assistir essa última partida. Pode deixar, serei mais um que vai contar pros mais novos que você era um gênio.

#ThankYouKobe

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