O amadorismo continua no futebol de Brasília

Na terça-feira, dia 24 de maio de 2016, o Vasco venceu o Villa Nova de Goiás por 2×0, dois gols do meia Nenê, pela segunda rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Esse foi o primeiro jogo de uma série de partidas marcadas para o Estádio Nacional Mané Garrincha, o mais caro estádio construído para a Copa de 2014. Além do Vasco, jogam ainda Botafogo x Cruzeiro e Flamengo x Atlético-MG.

O que isso significa? Que, mais uma vez, os times de Brasília serão coadjuvantes dentro da própria capital. Na capital, somente os times de outros estados são atrativos para o torcedor. Por exemplo, Vasco e Flamengo jogaram para quase 27 mil pagantes, mais de um milhão e meio de reais de renda. O Fla x Flu foi assistido por 32 mil pagantes, quase dois milhões e meio de reais brutos. O lucro foi tão grande que o Fluminense conseguiu sair do vermelho no Campeonato Carioca.

Já no Candangão a coisa foi bem diferente. No fim de abril e início de maio, Ceilândia e Luziânia disputaram o título em dois jogos. A primeira partida da final foi assistida por pouco mais de dois mil torcedores. Na segunda, quase oito mil pessoas assistiram os goianos levantarem a taça. Não chegou nem na metade do público dos clássicos cariocas. Juntos, os 80 jogos do Candangão 2016 reuniram cerca de 72 mil pessoas, a capacidade total do estádio Nacional, o que dá uma média de 900 torcedores por jogo. Em um jogo do Sobradinho contra o Cruzeiro, numa quarta-feira a tarde, os jogadores disputaram os três pontos perante 29 torcedores, contados a dedo. Público pequeno, mas compatível com o tamanho do futebol candango. O clássico do Distrito Federal, Gama x Brasiliense, levou pouco mais de 1700 pessoas na sexta rodada, com uma renda bruta de 11 mil reais. Na rodada seguinte, no mesmo estádio, o Brasília venceu o Cruzeiro por 4×2 perante VINTE pagantes, o que gerou um prejuízo de mais de 3500 reais.

Esses números comprovam o que há décadas já é conhecido no Distrito Federal. Toda estrutura do futebol brasiliense é amadora, incluindo jogadores, técnicos e dirigentes. Falta público, falta gestão, faltam atrativos, e falta visão. A começar pelo calendário. Ao ser desclassificado nas semifinais, o Brasiliense simplesmente fechou as portas e só volta a jogar no ano que vem. O Gama, que também foi desclassificado nas semifinais, ainda joga a Copa do Brasil. Mas, convenhamos, o alviverde não deve ir muito longe (se for, será uma ótima surpresa).

Mais um ano se passou, mais uma temporada acabou, e o futebol de Brasília continua no mesmo abandono, com jogadores desempregados depois do fim do campeonato. Mas isso pouco importa para os dirigentes, que comemoram o lindo estádio usado por times de fora e para shows musicais.

Falta autocrítica. Falta preparo. Falta muita coisa. Admitir que todos os envolvidos no futebol brasiliense são amadores talvez seja o primeiro passo para a uma construção sólida do futebol brasiliense. Para não deixarmos mais um estádio de Copa do Mundo fechado e só abrir quando Wesley Safadão resolver fazer uns shows por aqui.

Foto: Reprodução/Facebook SEG

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