Tragédia anunciada

Futuro do Brasília no NBB segue incerto. Diretor do time nega possibilidade do fim. Foto: Luiz Pires/LNB

 

O anúncio de que o UniCEUB não será o patrocinador master do Brasília no Novo Basquete Brasil a partir da próxima temporada é o capítulo mais recente de um desfecho que tinha tudo para ser errado. Jogadores e comissão técnica precisaram conviver com constantes atrasos salariais, que se repetiam mês a mês. Há ainda uma dívida referente à premiação do título da Liga Sul-Americana na temporada 2015/2016 e também de salários atrasados que ajudaram a atormentar o grupo. No planejamento atual, a equipe conta apenas com quatro jogadores: Deryk Ramos, Jefferson Campos, Lucas Mariano e João Phylippe. Eles assinaram um vínculo de dois anos com o Brasília na temporada passada e, por isso, seguem com contratos ativos. A equipe ainda espera renovar com o jovem ala Paulo Lourenço, que teve boas apresentações na reta final da temporada 2016/2017. Durante a Era UniCEUB no basquete brasiliense, a equipe conquistou por duas vezes o Novo Basquete Brasil e levantou o caneco da Liga Sul-Americana em três ocasiões.

Segundo fontes ouvidas pela Rádio BSB Sports, um acordo entre time e jogadores chegou a ser costurado e, inclusive, apresentado à Liga Nacional de Basquete. Isso ocorreu já no início deste ano, quando os patrocinadores puderam injetar quantidades mensais maiores no orçamento do time. Essa medida foi necessária porque, devendo salários aos jogadores, o UniCEUB/BRBCARD/Brasília seria punido com a perda de jogos por WO até que a situação fosse resolvida. A quitação dos débitos, porém, nunca chegou a acontecer. À época do acordo, a equipe do Distrito Federal liderava o Novo Basquete Brasil (NBB), o que fez com que o elenco se fechasse e optasse por não cruzar os braços.

“Houve um acordo. Não poderíamos deixar de jogar. Acreditávamos que seria uma fase passageira e se parássemos de jogar, os únicos prejudicados seríamos nós mesmos. Durante toda a temporada, os jogadores que tinham o acordo para receber, se mantiveram comprometidos até o fim, diferente da diretoria”, disparou o armador Fúlvio, um dos principais jogadores da equipe desde o seu retorno a Brasília, na temporada 2014/2015. Assim, atletas que sequer defendem a agremiação brasiliense ainda têm dinheiro a receber do time. Caso de jogadores como o ala Arthur, que renovou seu contrato com o Vitória (BA), e o pivô Lucas Cipolini, garantido em Franca (SP) para 2017/2018.

Pedindo para não ser identificado, um jogador expressou preocupação sobre o futuro do time. Sem a devida quitação dos salários de atletas e comissão técnica, o Brasília sequer poderá ser inscrito no NBB na temporada 2017/2018. Por conta da 8ª colocação nesta temporada, os brasilienses só terão o torneio nacional para disputar.

“Os salários desse ano estão atrasados em um mês, mas alguns jogadores também estão com salários atrasados da temporada passada. Isso preocupa os jogadores pela continuidade da equipe na temporada que vem, pois o time deve quitar todas essas dividas para se inscrever no próximo campeonato”, ressaltou.

Para tentar eliminar os atrasos, a diretoria do time optou por dividir os salários de alguns atletas entre os demais patrocinadores (Terracap e BRB). A medida, porém, não surtiu o efeito esperado e a demora na liberação dos salários dos jogadores continua. Por contrato, o UniCEUB ainda precisa participar de eventos dos dois órgãos estatais. Assim, atletas que permaneceram na capital federal ainda marcam presença neste tipo de acontecimento. O contrato dos jogadores vai até o dia 31 de julho. Os atletas, inclusive, foram liberados para ouvir propostas de outros clubes.

Por meio de nota, o UniCEUB apenas enalteceu os feitos alcançados pelo time durante os sete anos em que o centro universitário estampou sua marca no lugar mais nobre da camiseta do time. Em momento algum citou atrasos salariais ou os percalços da derradeira temporada como patrocinador master. Procurado para responder sobre os atrasos salariais, o presidente do Instituto Viver Esporte, entidade mantenedora do Brasília, Homero Neto, não atendeu ou retornou os contatos.

Futuro

As próximas cenas da novela envolvendo o Brasília seguem nebulosas. Apesar de ver o principal patrocinador dar adeus ao projeto, o diretor técnico do time, José Carlos Vidal, mantém o tom de otimismo e, ao menos momentaneamente, rechaça a possibilidade do encerramento das atividades. Afundada em uma grave crise financeira, a Terracap dificilmente renovará o contrato de patrocínio com o Brasília. O alento, entretanto, vem do BRB, antigo parceiro do basquete da cidade. O projeto da modalidade goza de grande prestígio entre os executivos do banco e, por isso, um acordo entre as duas partes pode ocorrer em breve.

“A informação que eu tenho é que o time não acaba. Agora, com que orçamento continua, é o que nós precisamos ver. Estamos correndo, depois desse tempo todo, para fechar esta questão”, explicou.

“Ainda acredito que todas as dívidas serão quitadas. Minha única chateação é saber das notícias sobre a equipe através da imprensa e redes sociais. Tenho esperança que Brasilia, com toda sua história no basquete, não feche as portas. Seria uma grande perda para os torcedores da cidade e para o esporte”, disse Fúlvio.

 

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